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"Quem dera se por um descuido, Deus te fizesse eterno..."

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Testamento! :)




A vida me deu muita coisa e me tirou alguns móveis do caminho. Objetos de grande valor me foram furtados por ela, e alguns regalos foram dados ao longo desta curta e intensa estrada.
Já tive amores de todas as cores e sabores. Provei de todos os frutos e liquidos. Me joguei em precipicios e fui segurada por irmãos de verdade. Alguns anéis sumiram e os dedos se feriram com os arrancos desta brincadeira de viver. Do jogo ainda sei pouco. Movo aqui e ali umas peças e me arrisco de fato. Curto o risco e o cheiro de pneu queimando o asfalto. Mas ainda está longe o cheque-mate, afinal ainda há fortes pulmões, sangue que ferve na veia e um coração que teima em pulsar com a velocidade dos meus pensamentos… às vezes mais ou menos acelerado que o cérebro.
Comprei pouco, poupei nada, aproveitei um tanto, e somei muito… hoje estou na luta por pouca subtração e um produto mais real.
Não plantei uma árvore até agora. Não escrevi nenhum livro e acho que nunca o farei.
Abrir janelas…
Muitas portas se fecharam. Janelas se abriram. O vento nunca deixa de correr e por mais curto que seja o corte do meu cabelo, ainda me balançam os pêlos…
A felicidade a gente aprende que é como uma tempestade. Vem arrasadora, derrubando tudo e vai discreta, suave, deixando lembranças.
E como é bom saber que há Histórias na memória e na lingua…
O que posso concluir do abstrato sentimento que é amadurecer? é saber que no balanço das horas, na trilha, sob uma chuva torrencial… seja lá em qual clima for, a verdade é que tudo nesta vida vale a pena… e se tiver que ser este meu fim que saibam todos o quanto fui feliz e quando quero repetir esta mesma vida em todas as próximas vezes que me permitirem voltar… e oh! não quero tocar de onde parei, não! quero recomeçar do zero e olhar com olhos de criança para as mesmas coisas, e como um cão em seu primeiro passeio de carro, me divertir com o vento na cara.
Obrigado. Meu muitissimo obrigado!

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Photobucket Disse a flor para o pequeno príncipe: é preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Antoine de Saint-Exupéry